Fadaleta







24/10/2005 10:26
A diversidade num Brasil multicolorido

A cultura brasileira reflete os vários povos que constituem a demografia do gigante sul-americano: indígenas, europeus, africanos, asiáticos, árabes etc. Como resultado da intensa miscigenação racial, surgiu uma realidade cultural peculiar, que sintetiza as várias culturas e se revela, especialmente, nos grandes centros urbanos. Em cada uma das regiões desse vasto país, é possível encontrar, porém, manifestações culturais próprias de cada um desses grupos étnicos, particularmente nos pequenos municípios e comunidades rurais. No nordeste, nomeadamente na Bahia e no Maranhão, são comuns as festas, os ritos e os ritmos da tradição africana; no norte do País, o folclore e a culinária indígenas; no sul, as tradições européias, das quais merecem destaque a alemã e a italiana, havendo, mesmo, algumas delas que, tendo já desaparecido em seus países de origem, só subsistem no Brasil.

A tensão entre o que seria considerado uma cultura popular e uma erudita sempre foi bastante problemática no país. Durante um longo período da história, desde o Descobrimento até meados dos séculos XIX e XX, a distância entre a cultura erudita e a popular era bastante grande: enquanto a primeira buscava ser uma cópia fiel dos cânones e estilos europeus, a segunda era formada pela adaptação das culturas dos diferentes povos que formaram o povo brasileiro em um conjunto de valores, estéticas e hábitos rejeitado e desprezado pelas elites. Grande parte do projeto estético modernista foi justamente o de resgatar nos campos considerados "nobres" da Cultura (nas artes em geral, na literatura, na música etc.) e até mesmo nos hábitos cotidianos a vertente popular, considerando-a como a legítima cultura brasileira.


Literatura
As primeiras manifestações literárias no país resumem-se basicamente à produção de textos narrativos sobre o país inseridos no contexto do Descobrimento. A produção literária de ficção, propriamente dita só vem a ocorrer efetivamente com a inauguração do Barroco.

A preocupação em produzir uma literatura genuinamente nacional começa a existir com a intenção nacionalista romântica, mas esta se limita a buscar temáticas supostamente brasileiras (como o indigenismo e o regionalismo) e repetir as formas européias. Algo similar ocorre com o Realismo e o Naturalismo, ainda que autores como Machado de Assis tenham sido considerados altamente inovadores em suas escolas.

Os vários movimentos modernos que explodem no início do Século XX (entre os quais destacando-se o antropofágico e seus representantes como Mário e Oswald de Andrade) têm por princípio rejeitar os valores europeus e buscar aquilo que é genuinamente nacional, digerindo a cultura estrangeira e devolvendo-a sintetizada à nacional.

Artes visuais
Até meados do século XIX a produção plástica das artes brasileiras possui pouco destaque, excetuando-se o trabalho de Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde no Barroco mineiro. Fora estes, destaaca-se também a produção de artistas estrangeiros que durante o período medieval estiveram no país registrando as paisagens e hábitos locais, como Albert Eckhout.

A pintura brasileira do Século XIX é bastante acadêmica, altamente influenciada pelo trabalho da Missão francesa (da qual faziam parte nomes como Jean Baptiste Debret e Nicolas Antoine Taunay). A referida Missão foi responsável pela criação da Escola Imperial de Belas Artes. Desse período, destacam-se as pinturas históricas de Victor Meirelles e Pedro Américo.


Música
Considera-se que o primeiro grande compositor brasileiro foi Carlos Gomes, autor da ópera O Guarani, adaptação do romance homônimo de José de Alencar.

No século XX, destaca-se o trabalho de Heitor Villa-Lobos, responsável pela assimilação pela música erudita de diversos elementos da cultura popular, como os violões e determinados ritmos.


Arquitetura
A arquitetura bandeirista e o Barroco mineiro são considerados por muitos estudiosos como expressões de estilos europeus que encontraram no Brasil uma manifestação e linguagem próprios, destacando-se de suas contrapartes metropolitanas. A primeira se refere a produção realizada basicamente no que seria hoje o Estado de São Paulo pelas famílias dos bandeirantes, inspirando-se em uma estética próxima, ainda que bastante alterada, do Maneirismo. A segunda corresponde a um tipo de barroco (ainda que muitos o considerem mais próximo do Rococó) representado especialmente pelas igrejas construídas por Aleijadinho.


Religiões no Brasil
Estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, Brasil.O Brasil é um país religiosamente diverso, com tendência de tolerância e mobilidade entre as religiões. A população brasileira é predominantemente católica devido à herança religiosa dos portugueses. Da África vieram práticas de povos anteriormente escravizados, que sobreviveram à opressão dos colonizadores e deram origem às religiões afro-brasileiras. Na segunda metade do século XIX começa a ser divulgado o espiritismo no Brasil, que hoje é o país com maior número de espíritas no mundo. Nas últimas décadas a religião protestante tem crescido bastante em adeptos, alcançando parcela bastante significativa da população. Do mesmo modo aumentam aqueles que declaram não ter uma religião, grupo superado em número apenas pelos católicos e protestantes.

Muitos praticantes de religiões afro-brasileiras, assim como alguns espíritas, também se denominam católicos e seguem ritos da Igreja Católica. De forma similar, muitos espíritas afirmam ser cristãos apesar de não aceitarem aspectos importantes do cristianismo como o valor do sacrifício de Jesus para a salvação dos homens. Esse tipo de tolerância com o sincretismo é um traço histórico peculiar da religiosidade no país.

Seguem descrições das principais correntes religiosas brasileiras, ordenadas pela porcentagem de integrantes de acordo com o recenseamento demográfico do IBGE em 2000:

Catolicismo (73,6%)
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.A principal religião no Brasil desde o século XVI tem sido o Cristianismo, e, predominantemente a Igreja Católica Romana. Ela foi introduzida por missionários que acompanharam os exploradores e colonizadores portugueses nas terras do Brasil. O Brasil é considerado o maior país católico no mundo, com aproximadamente 74 por cento de sua população declarada como católica.

Algumas tradições populares do catolicismo no Brasil incluem as peregrinações à Nossa Senhora Aparecida, no lugar onde a santa fez sua aparição na cidade de Aparecida do Norte, localizada a 168 km da capital de São Paulo, e acabou por tornar-se a Padroeira do Brasil. Outros festivais importantes incluem Círio de Nazaré em Belém do Pará e a Festa do Divino no Brasil central.

No transcorrer do século XX, foi perceptível uma diminuição no interesse em formas tradicionais de religiosidade. Um reflexo disso é a grande massa dos chamados católicos não-praticantes presente hoje na população brasileira. Estes afirmam ser adeptos da religião e freqüentam cerimônias como casamentos e batizados, mas não tomam parte regularmente de ritos como a missa aos domingos (estima-se que somente 20% da população freqüente a missa). Esses católicos muitas vezes discordam dos ensinamentos morais da Igreja quando estes não estão adaptados a tendências do mundo contemporâneo como o relativismo cultural e a liberalidade sexual. No censo IBGE de 2000, 40% dos que responderam ser católicos diziam ser "não-praticantes".

Na hierarquia católica brasileira estão presentes hoje três vertentes principais: o clero tradicionalista, mais conservador e defensor da ortodoxia; os remanescentes da Teologia da Libertação, que desde os anos 70 tem formado uma espécie de esquerda eclesiástica; e os adeptos da Renovação Carismática, o movimento mais recente e vigoroso.

A Renovação Carismática Católica (RCC) chegou ao Brasil no começo dos anos 70 e ganhou força em meados dos anos 90. O movimento busca dar uma nova abordagem à evangelização e renovar algumas práticas do misticismo católico, incentivando uma experiência pessoal com Deus através do Espírito Santo. Assemelha-se em certos aspectos às Igrejas Pentecostais, como no uso dos dons do Espírito Santo, na adoção de posturas que poderiam ser rotuladas como fundamentalistas e numa maior rejeição ao sincretismo religioso por parte de seus integrantes.

Com forte presença leiga, a RCC responde hoje por grande parte dos católicos praticantes do país. Uma das comunidades carismáticas mais conhecidas é a Canção Nova que possui um canal de televisão mantido por doações e é presidida pelo Padre Jonas Abib. Outro ícone da RCC no Brasil é Padre Marcelo Rossi, fenômeno de mídia e cultura de massas que surgiu no final da década de 90. Cantando e fazendo coreografias tanto em programas de televisão quanto em missas lotadas, ele se propõe a pregar a mensagem de Cristo conforme ensinada pela Igreja Católica.

Protestantismo e igrejas Evangélicas (15,4%)
Igreja Anglicana brasileiraCom a vinda da família-real portuguesa ao Brasil e abertura dos portos a nações amigas, através do Tratado de Comércio e Navegação comerciantes ingleses estabeleceram a Igreja Anglicana, em 1811. Seguiram a implantação de outras igrejas de imigração: Alemães trouxeram o Luteranismo em 1824, imigrantes Americanos vieram com as igrejas Batista e Metodista. Mais tarde missionários fundaram as igrejas Congregacional e a Presbiteriana, já agora voltadas ao público brasileiro. Em 1910 o Brasil receberia o Pentecostalismo, com a chegada da Congregação Cristã no Brasil e da Assembléia de Deus. A partir de 1950 o pentecostalismo transformou-se com a influência de movimentos de suposta cura divina e que geraram diferentes denominações tais como: Igreja Pentecostal "O Brasil para Cristo". Também desta época surgiram outras igrejas, que mantiveram muitas características do protestantismo histórico, mas adicionaram o fervor pentecostal, como exemplo, a Igreja Presbiteriana Renovada. A década de 1970 viu nascer o movimento neopentecostal, com igrejas que enfatizam a prosperidade, como a Igreja Universal do Reino de Deus. Mais recentemente cresceram igrejas neopentecostais com foco nas classes média e alta, um discurso mais liberado quanto aos costumes e menos ênfase em manifestações pentecostais.

As vertentes cristãs protestantes são geralmente as únicas religiões no Brasil que estão relativamente livres de sincretismo religioso. Nas últimas décadas essas religiões vêm ganhando muitos adeptos, sendo atualmente o segundo grupo mais numeroso quando consideradas em conjunto. Essa popularidade está voltada principalmente aos grupos com traços pentecostais, mas também estão bem representadas igrejas protestantes tradicionais. As maiores denominações Protestantes são a Assembléia de Deus, a Congregação Cristã no Brasil, Igreja Batista, Luteranismo, e a Igreja Universal do Reino de Deus. As igrejas protestantes ou evangélicas estão presentes predominantemente de Minas Gerais até o sul do país. Grandes centros de protestantes neopentecostais são Londrina e as maiores cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Espiritismo (1,3%)
O Espiritismo é uma das religiões que mais crescem no Brasil do século XXI. Essa doutrina foi decodificada pelo francês Allan Kardec pela primeira vez em "O Livro dos Espíritos", publicado em 18/04/1857. Hoje, (2005) estima-se que existam 10 milhões de espíritas no mundo inteiro (Encyclopaedia Britannica). Desse total, aproximadamente três milhões vivem no Brasil, constituindo-se a maior nação espírita do planeta.

O Espiritismo foi amplamente divulgado no Brasil na segunda metade do século XIX, atraindo principalmente a classe média. Em setembro de 1865, em Salvador, Bahia, foi criado o "Grupo Familiar do Espiritismo", o primeiro Centro Espírita Brasileiro. Em 1873, fundou-se a "Sociedade de Estudos Espíritas", com o lema "Sem caridade não há salvação; sem caridade não há verdadeiro espírita". Esse grupo dedicou-se em traduzir para o português as obras de Kardec, como "O Livro dos Espíritos", "O Livro dos Médiuns", "O Evangelho Segundo o Espiritismo" "O Céu e o Inferno" e "A Gênese" .

É neste contexto que Adolfo Bezerra de Menezes adere à doutrina espírita, tornando-se um dos maiores expoentes do espiritismo do país. Bezerra de Menezes foi presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB) por duas gestões. A FEB foi fundada em janeiro de 1884, pelo Sr. Elias da Silva, com a finalidade de unificar o pensamento espírita no Brasil.

A tradição espírita se fortificou no Brasil. No dia 02 de abril de 1910 nasce Francisco Cândido Xavier, conhecido simplesmente como Chico Xavier. Aos 5 anos de idade, Chico clamou conversar com o espírito de sua mãe. Humanitário, o médium foi indicado duas vezes ao prêmio Nobel da Paz. Responsável direto pelo grande número de adeptos que a religião conseguiu no Brasil, Chico Xavier é reconhecido mundialmente pela comunidade espírita. Os mais de 400 livros psicografados por ele foram traduzidos em inúmeras línguas, entre elas o esperanto. Chico Xavier morreu em 30 de junho de 2002, mobilizando todo o país.

Religiões Afro-Brasileiras (0,3%)
Iemanjá, a rainha do mar.
Tambores do Candomblé.As religiões africanas com a vinda dos escravos vieram dar origem a diversas religiões, tais como o candomblé, que tem milhões de seguidores, principalmente entre a população negra, descendentes de escravos. Estão concentradas principalmente em grandes centros urbanos do Norte, como Pará e Maranhão, no Nordeste, tal como Salvador, Recife, e Alagoas, no Leste, Minas Gerais, no sudeste, no Rio de Janeiro e São Paulo, e no Rio Grande do Sul. Diferente do candomblé, que é a religião sobrevivente da África ocidental, há também a umbanda, que representa o sincretismo religioso entre o catolicismo e as crenças e ritos africanos.

As chamadas Religiões Afro-Brasileiras: o candomblé que é dividido em várias nações, e o batuque, o Xangô do Recife e o Xambá foram trazidas originalmente pelos escravos negros advindos da África para Brasil. Estes escravos cultuavam seu Deus, e as divindades chamadas Orixás, Voduns ou inkices com cantos e danças trazidos da África.

Estas religiões foram perseguidas, e acredita-se terem o poder para o bem e o mal; hoje são consideradas como religiões legais no país, e são cada vez mais bem compreendidas. Nas práticas atuais, os seguidores da umbanda deixam oferendas de alimentos, velas e flores em lugares públicos para os espíritos. Os terreiros de candomblé são discretos da vista geral, exceto em festas famosas, tais como a Festa de Iemanjá em todo o litoral brasileiro e Festa do Bonfim na Bahia. Estas religiões estão em todo o país.

O Brasil é bastante conhecido pelos ritmos alegres de sua música, como o Samba e a conhecida como MPB (música popular brasileira). Isto pode relacionar-se ao fato de que os antigos proprietários de escravos no Brasil permitiam que seus escravos continuassem sua tradição de tocar tambores (ao contrário dos proprietários de escravos dos Estados Unidos que temiam o uso dos tambores para comunicações).

Outras (1,8%)
Do estado da Bahia para o norte há também práticas diferentes tais como o Catimbó, Jurema, e o Tambor-de-Mina com fortes elementos indígenas. Por todo o país, mas principalmente na região da floresta amazônica, há muitos indígenas que ainda praticam a pajelança de suas tradições originais.

Em 2004, a Comissão Nacional Anti-Drogas (CONAD), atual órgão do Ministério da Justiça brasileiro, após dezoito anos de espera da comunidade daimista, reconhece a legitimidade do uso religioso da ayahuasca e a legalidade de sua prática, ver: Santo Daime.

A Igreja Ortodoxa também se faz presente no Brasil. A Catedral Metropolitana Ortodoxa, localizada em São Paulo, na Rua Vergueiro, foi inaugurada em janeiro de 1954.

Há também, principalmente em Brasília e nas capitais da Região Sudeste praticantes de religiões neo-pagãs, como Wicca e Druidismo.

As religiões Afro-Brasileiras, adicionadas ao Budismo, Xintoísmo, o Judaísmo e algumas outras, representam uma porcentagem pequena da população total do Brasil - aproximadamente 5%. O restante da população denomina-se cristão.

Sem religião (7,4%)
Apesar de este ser um país predominantemente religioso, brasileiros somando 7,4% da população consideram-se ateus, agnósticos, ou apenas sem religião. Dentre todo o espectro religioso, apenas os católicos e os evangélicos superam em número os que escolheram nenhuma religião para seguir, ficando estes um pouco acima da média mundial de 5%.


Principais confissões religiosas (2000) (número de pessoas)

Católicos Apostólicos Romanos - 124.980.132
Ortodoxos - 28.060
Evangélicos (todos os grupos) - 26.184.941

Protestantismo Histórico
Luteranos - 1.062.145
Presbiterianos - 981.064
Metodistas - 340.963
Batistas - 3.162.691

Protestantismo Pentecostal
Assembléia de Deus - 8.418.140
Congregação Cristã no Brasil - 2.489.113
Evangelho Quadrangular - 1.318.805
Igreja Universal do Reino de Deus - 2.101.887
Igreja Pentecostal Deus é Amor - 774.830

Outros Cristãos
Adventistas - 1.209.842
Testemunhas de Jeová - 1.104.886
Mórmon - 199.645

Outras
Espíritas - 2.262.401
Umbanda - 397.451
Candomblé - 127.582
Judaísmo - 86.825
Budismo - 214.873
Igreja Messiânica - 109.310
Gnósticos - 12.235
Sem religião 12.492.403

Total 169.872.856


Dados obtidos através do site:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%B5es_no_Brasil
enviada por mel'du' arte






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