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28/10/2005 12:27
Eletrotango
Música com sonoridade suave, envolvente, dançante e muito, mais muito tango com música eletrônica, eis o eletrotango. Você conhece? Não. Apresento-lhe BAJOFONDO Tango Club. Banda composta por músicos argentinos e uruguaios. Leia abaixo matéria sobre a banda.
Eletricidade e tango. Muito tango
O tradicional ritmo platino vai ao underground e encontra a música eletrônica - por Giuliano Ventura
Você provavelmente nunca ouviu falar de Juan Campodónico. Mas deveria. Ele é um dos músicos que lideram a inovação da arte feita às margens do Rio da Prata. A máxima de que o Brasil está de costas para o seu próprio continente continua válida. Pouco sabemos sobre o que se passa com nossos vizinhos da América do Sul. Na música, não temos informação nem do que é feito nos dois países com os quais temos mais ligação, Uruguai e Argentina. E, neste momento, algo importante está acontecendo por lá.
Em vários momentos da História, em diferentes partes do mundo, rupturas políticas, grandes crises sociais e econômicas mudaram também os paradigmas culturais. "Para Argentina e Uruguai (os países unidos e separados pelo Rio da Prata) estes são tempos difíceis, tempos de eletricidade e tango. Muito tango", escreve Enrique Lopetegui na nota de apresentação do disco do Bajofondo Tango Club, um coletivo de artistas dos dois países que executaram a mais representativa e bem-sucedida fusão do tango com a música eletrônica até agora. Os líderes do Bajofondo são dois produtores: o já citado uruguaio Juan Campodónico, mais conhecido como "Campo", e o argentino Gustavo Santaolalla.
Campo é ex-guitarrista do grupo de rock Peyote Asesino e produtor dos últimos discos de Jorge Drexler, o mais conhecido cantor uruguaio da atualidade. Santaolalla é radicado nos Estados Unidos e produziu grupos como Café Tacuba e Molotov. Ultimamente tem se dedicado às trilhas para o cinema, como as de Amores Brutos, 21 Gramas e Diários de Motocicleta, o filme de Walter Salles que integrou profissionais de diversas partes da América.
Reza a lenda que os hinos oficiais da tristeza platina andavam esquecidos pela juventude de Buenos Aires e Montevidéu. Relatos de viajantes brasileiros davam conta que o tango nas plagas portenhas tinha virado coisa para turista - um equivalente ao show de mulatas do Sargentelli no Brasil. Mitos como Carlos Gardel ou mesmo o renovador Astor Piazzolla continuavam na memória de todos, mas petrificados como monumentos.
Após a grande crise, a renovação musical que vinha acontecendo silenciosamente ganhou destaque. Primeiro com o Gotan Project, um grupo radicado na França, e depois com um bom número de artistas que começaram a criar sobre antigos temas de antigos "tangueros" resgatados. O tango - que em sua forma clássica conta com piano, contrabaixo, violino e bandônion, mas nenhuma bateria - tem espaço de sobra para as batidas de house ou drum n' bass. Experiências interessantes e inovadoras que mesclam elementos modernos com os ritmos tradicionais não são propriamente uma novidade. No Brasil experimenta-se com o samba e a bossa nova há vários anos. Mas agora chegou a vez do tango e da milonga acrescentarem sua contribuição para os novos sons do mundo.
Por aqui, muitos ainda insistem em classificar qualquer coisa cantada em espanhol como anacrônica ou associar a música latina ao pop mais rasteiro. Nada mais equivocado. Para afastar de vez essa idéia basta escutar duas faixas do disco Bajofondo Tango Club: "Mi Corazón", a música que Juan Campodónico compôs usando samplers de uma velha gravação de Roberto "Polaco" Goyeneche. Um velho mito canta meio bêbado uma canção profundamente melancólica que, surpreendentemente, transforma-se em algo possível de dançar numa pista. Se não ficar convencido, o golpe final é "En Mí/Soledad", uma composição de Piazzolla que encontrou seu porto no trip hop.
SAIBA MAIS E ESCUTE AS MÚSICAS PULSANTES: http://www.bajofondotangoclub.com/
¿VAMOS A BAILAR?
P.S. Uma das faixas que mais gosto é "El sonido de La Milonga" - não parei de dançar um só minuto... a cadeira do escritório dará depoimentos em breve rsssss... muita música boa, dançante, vibrante.
Outros ritmos vibrantes que gosto da nossa interlatinidade: Salsa, SAMBA, Merengue, Forró, Festejo, Cumbia, Maracatu, Coco... dançar revigora o corpo e se transmite na alma.
ESCUTE BAJOFONDO: mms://streaming.plugin.com.br/musicadomundo/Bajofondo%20Tango%20Club%20-%20Maroma.wma
CURIOSIDADES: http://www.musicadomundo.com.br/artistasS2.html - Rádio com músicas do mundo...
P.S.2: "Caso queira falar comigo, favor enviar um pensamento atômico pra Lua" - Fadaleta
enviada por mel'du' arte
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