Fadaleta







24/10/2005 15:45
Elis Regina: uma vida dedicada à música

POR DANILO CASALETTI


Elis Regina: considerada uma das maiores cantoras da MPB
Músicos, compositores, fãs e admiradores da boa música certamente já se fizeram uma pergunta: O que Elis Regina estaria gravando hoje? Ela teria se rendido ao formato 'Acústico da MTV' ? Estaria revisitando os grandes clássicos da música brasileira como fez Gal Costa ? Gravaria um rap como fez Elza Soares? Cantaria compositores da nova geração a exemplo de sua filha Maria Rita? O certo é que Elis sempre foi um parâmetro dentro da MPB. Os compositores que ela gravava recebiam um carimbo de aprovado e suas interpretações serviam de exemplo para novos cantores.

Elis nasceu em Porto Alegre no dia 17 de março de 1945, filha de uma dona de casa e de um vidraceiro, sua vida era como as das outras crianças do bairro operário em que morava. Ainda criança pediu aos pais para estudar piano, mas como a família não tinha possibilidade de ter o instrumento em casa, ela resolveu cantar 'para colocar para fora todo o som que tinha dentro da cabeça', como ela explicou em um programa de TV.

Sua estréia aconteceu na Rádio Farroupilha, aos 12 anos, no programa 'Clube do Guri', uma competição de calouros para crianças. A primeira vez em que foi ao programa não conseguiu cantar. Na segunda cantou, mas de tão nervosa seu nariz começou a sangrar, porém ela foi até o fim da música e ganhou a competição. Começou a fazer sucesso e logo foi convidada a gravar seu primeiro disco 'Viva a Brotolândia' . A idéia da gravadora era lançar uma concorrente para Celly Campello que na época ocupava o topo das paradas. Foi a primeira vez que Elis mostrou as garras ' Não quero ser a nova Celly, quero ser Elis Regina', disse na época.

Gravou mais dois discos no Sul e em 1964 mudou-se para o Rio de Janeiro. No ano seguinte participou do I Festival de Música Brasileira promovido pelo TV Excelsior. Defendeu a música 'Arrastão' de Edu Lobo e Vinícius de Moraes. Interpretação forte, gestos exagerados. Causou espanto. Com isso Elis enterrava a bossa nova e fundava um novo ciclo dentro da MPB.

Ganhou todos os prêmios do ano de 1965 e estreou junto com Jair Rodrigues o programa 'O Fino da Bossa' que ficou no ar até 1967. Gravou 3 discos com o parceiro e se apresentou em todo o Brasil, Europa e África. Casou-se com o produtor Ronaldo Bôscoli com quem teve o filho João Marcello. Relevou nomes hoje importantes como Milton Nascimento, Ivan Lins, Vitor Martins, João Bosco e Aldir Blanc.

Em 1972 casou com o maestro Cesar Camargo Mariano que assumiu a função a diretor musical de sues discos. Foi um parceria pessoal e profissional vitoriosa. São dessa época as músicas 'Atras da Porta'. 'Cais', 'Casa no Campo', 'Ladeira da Preguiça' , 'Folhas Secas', ' Amor até o fim', entre outras.

Para comemorar seus dez anos de carreira, gravou em 1974 o histórico disco 'Elis & Tom' que acabou virando uma das mais bonitas parcerias da música brasileira de todos os tempos. No ano seguinte, montou o espetáculo 'Falso Brilhante' que reunia canto, dança e elementos de teatro para contar sua vida. O show ficou mais de um ano em cartaz e foi sucedido por 'Transversal do Tempo' no qual Elis se portou como um repórter do seu tempo, retratando o momento político da época, os problemas ambientais e o endurecimento dos sentimentos humanos.

Em 1979, com os primeiros sinais de abertura política gravou 'O Bêbado e a Equilibrista' que ficou conhecido com o hino da Anistia. No ano seguinte estreou o espetáculo 'Saudades do Brasil' em que cantava músicas como 'Alô, alô marciano', 'Aos nossos filhos' e 'Maria,Maria'.

Seu último show foi 'O Trem Azul', um dos mais pop de sua carreira, no qual ela deixava de lado suas preocupações políticas e denúncias sociais e apenas cantava, leve, solta... O espetáculo era um desafio para Elis, pois era o primeiro, após mais de 10 anos, sem César Mariano de quem ela se separara pouco antes da estréia.

Elis foi encontrada morta em seu apartamento no dia 19 de janeiro de 1982 pelo namorado, o advogado Samuel MacDowell pouco mais de duas semanas antes de entrar em estúdio para gravar mais um disco. Foram 27 LPs, dezenas de compactos e três filhos. Foi-se a artista Elis, ficou o mito.


enviada por mel'du' arte






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